Após 500 dias, governo de Israel pode novamente aprovar leis

20 Mai 2020
Netanyahu e Gantz acertaram coalizão Reuters/16-05-20

Neste dia 20, o famoso general israelense, Moshe Dayan (Degania, 20 de maio de 1915) faria 105 anos. Na mesma semana, o governo de Israel, depois de ficar 500 dias sem poder aprovar leis importantes, chegou a um acordo de unidade, passando a ser composto pelo primeiro-ministro de direita, Benjamin Netanyahu, e seu ex-rival centrista Benny Gantz, que assumiu por enquanto a pasta da Defesa e o cargo de vice-primeiro-ministro.

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Dayan nasceu quando a região ainda estava sob controle otomano. Cresceu na época do mandato britânico e teve como mentor o capitão inglês Ordin Wingate. Participou dos primeiros combates que culminaram com a Guerra da Independência (1948) e foi se tornando uma figura de destaque no Exército, por sua valentia e capacidade de negociar, tendo bom trânsito entre grupos árabes.

Chegou a general , chefe do Estado Maior, ministro da Agricultura (1959-1964), ministro da Defesa (1967-1974) e ministro das Relações Exteriores (1977-1979), falecendo em outubro de 1981.

Gostava de colecionar objetos de arqueologia e, durante o mandato de Vichy, na Síria, em 1941, perdeu um olho combatendo contra tropas francesas aliadas dos nazistas. Desde então passou a usar um tapa-olho que acabou trazendo um certo "glamour" à sua imagem altiva.

Quando Dayan assumiu o ministério das Relações Exteriores, em 1977, Gantz foi convocado para o IDF (Forças de Defesa de Israel) para ser paraquedista da Brigada Paraquedista. Desde então, foi subindo na hierarquia, até se tornar o 20º Chefe do Estado-Maior Geral do IDF (entre 2011 e 2015).

Com isso, Israel, que sempre teve a tradição de contar com militares de alto escalão participando do governo, voltou a ter um general, assim como Dayan, influenciando nas diretrizes políticas do país. Em novembro de 2021, Gantz assumirá o mandato como primeiro-ministro, invertendo com Netanyahu, que passará a ser ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro.

"Moshe Dayan foi um exemplo desta situação, cresceu no Exército de Israel e foi ativo na política. Agora, além de Gantz, há a presença de Ashkenazy (Gabi) como ministro das Relações Exteriores. Dayan foi importante para o acordo de paz com o Egito em 1979. Um general com bagagem sempre é importante dentro da política israelense", afirma Alon Lavi, cônsul-geral de Israel em São Paulo e Sul do Brasil.

Claro que, neste ínterim, outros generais assumiram importantes cargos, como Ehud Barak (primeiro-ministro entre 1999 e 2001) e Itzhak Rabin (primeiro-ministro entre 1974 e 1977 e entre 1992 e 1995).

Mas neste momento, a chegada de um militar pode significar um passo para a união do país, mesmo com a rivalidade instaurada entre Gantz e Netanyahu durante a campanha, que culminou em três eleições que não possibilitaram um ou outro lado obter a maioria do Parlamento.

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Há setores que criticam a aliança, potencializada também por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus, argumentando que Gantz abriu mão de suas convicções para se unir a Netanyahu, que é alvo de acusações de corrupção e terá o julgamento iniciado em algumas semanas. O aumento do número de ministérios também foi criticado por parte da população.

Uma parte da sociedade, no entanto, sente uma dose de alívio com esta definição, considerada a possível para este momento.

"Agora pelo menos existe um governo estável, que poderá finalmente aprovar o orçamento e outras leis que estavam travadas há cerca de 500 dias. Também não estavam sendo feitas nomeações e agora isso será possível. A do chefe de polícia, cargo muito importante, é um exemplo", completou Lavi.

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