Casos de grampos ilegais sacodem política na Argentina e no Uruguai

28 Junho 2020
Vice-presidente do Uruguai Beatriz Argimón teve áudio vazado nesta semana Raúl Martínez/ EFE/ 03.03.2020

Dois casos de grampos ilegais, revelados no último mês, mexeram com autoridades políticas na Argentina e do Uruguai. Um áudio vazado da vice-presidente do Uruguai, Beatriz Argimón supostamente revela escutas ilegais e extorsões ao governo.

Na Argentina, o ex-presidente Maurício Macri e Gustavo Arribas da AFI (Agência Federal de Inteligência) foram denunciados pelo Ministério Público em um caso que ficou conhecido como "Super Mario Bros". Durante seu governo, a agência de inteligência teria espionado jornalistas, empresários, políticos, e atores sociais.

Até mesmo uma pasta com as informações dos jornalistas que cubriram o G-20, sediado no país, foi encontrado. Os jornalistas eram classificados por "proximidade ideológica" com o governo.

Uruguai

Nesta semana, foi publicado um áudio de quase dez minutos que envolve a vice-presidente do Uruguai, Beatriz Argimón e o empresário de relações públicas Fernando Cristino. Nele, a vice-presidente faz uma espécie de cobrança sobre o comportamento do empresário dizendo que todas conversas pelo telefone são gravadas. 

"Tudo se sabe e tudo é gravado", diz Beatriz ao empresário. "Te peço que não faça eco de nada, não diga que tem notícias de Luis [Lacalle Pou], do 'dealer' do Luis", continua a vice-presidente. Ela dá a entender no diálogo, que já sabia que ele estaria conversando ao telefone sobre o governo.

"Tem que ter muito cuidado, o que você falou outro dia, quando me ligou, tudo se sabe, todo é gravado", diz Beatriz. E ela complementa: "No final do dia, quando as ligações foram ouvidas e ouviram as suas, eles vieram falar comigo, e eu disse: 'esse homem é o Fernando, eu cuido' para que não fizessem nada com você, porque todas as ligações vão direto. E agora, te digo porque eu assumi a responsabilidade de dizer, que eu freei".

Fernando Cristino alega que foi ameaçado de morte e já apresentou denúncia, incluindo a vice-presidente Beatriz Argimón nela. No áudio, Beatriz diz que tudo é gravado porque "todos os dias chegam todo tipo de extorsão contra o governo".

A Procuradoria-Geral do Uruguai irá investigar o caso envolvendo o áudio vazado que envolve a vice-presidente do Uruguai e o empresário. Jorge Díaz, o procurador-geral, disse também que tudo que pode haver de ilegal será investigado, não apenas a questão da ameaça de morte.

O caso será da responsabilidade da procuradora Silvia Porteiro.

A oposição Frente Ampla também se manifestou e ingressou com um pedido de investigação. "A publicação do áudio da vice-presidente Argimón gera uma preocupação relevante no sentido institucional, além de aspectos privados, na medida em que se refere a escutas telefônicas e extorsão diária de líderes governamentais", diz a publicação.

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