Bolsonaro afirma que modelo de colégios militares deve ser imposto

05 Setembro 2019

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que a população não tem que ser consultada sobre a implementação de colégios cívico-militares em seus

bairros. Segundo ele, esse modelo de ensino tem que ser imposto, sobretudo em locais onde os alunos têm baixo desempenho escolar.

Bolsonaro fez a afirmação ao discursar no lançamento do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), no Palácio do Planalto. Ele se dirigia ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, presente ao evento, que fez consultas em alguns bairros sobre a implantação desse tipo de escola.

"Vi que alguns bairros tiveram votação e não aceitaram. Me desculpa, não tem que aceitar, não. Tem que impor", disse Bolsonaro. "Se aquela garotada está na quinta série, está na nona série, e na prova do Pisa não sabe uma regra de três simples, não sabe interpretar um texto, não responde uma pergunta básica de ciência, me desculpa. Não tem que perguntar para o pai irresponsável nessa questão se ele quer uma escola de uma certa forma com militarização. Tem que impor. Tem que mudar."

Segundo o presidente, "nós não queremos que essa garotada cresça e vá ser no futuro um dependente até morrer de programas sociais do governo".

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse no evento que quer que até 10% das escolas brasileiras sigam esse modelo cívico-militar até 2026 - quando, espera ele, se encerrará o segundo mandato de Bolsonaro.

A meta concreta do governo, porém, é ofertar 216 escolas (ou 54 por ano) nesse modelo até 2023, quando se encerra o atual mandato do presidente. O número dobra as 108 escolas previstas no Compromisso Nacional pela Educação Básica, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) em julho.

Essas instituições terão destacados militares da reserva para trabalhar nas áreas de disciplina e organização das escolas. O Estados também poderão destinar policiais e bombeiros militares para o programa.

Ficarão a cargo deles tarefas de monitoria, disciplina e na gestão administrativa e comportamental dos alunos, como regras de convívio, uniformes, cortes de cabelo, entre outros.

Em tese, os militares não devem interferir no currículo e no que será ensinado dentro de sala de aula, algo a cargo dos professores seguindo orientação das Secretarias de Educação.

"No modelo proposto pelo MEC, os militares atuarão no apoio à gestão escolar e à gestão educacional, enquanto os professores continuarão responsáveis por seu trabalho na sala de aula. Não haverá substituição dos profissionais docentes", afirmou o secretário de Educação Básica do MEC, Janio Carlos Endo Macedo.

Segundo ele, o modelo das escolas cívico-militares "buscará fortalecer o civismo, o patriotismo, o respeito à família e aos valores éticos".

O MEC promete investir R$ 54 milhões - ou R$ 1 milhão por escola - por ano para pagar os militares e destinar verbas aos governos estaduais que aderirem ao programa.

Weintraub, ao discursar, afirmou que "a educação vai preparar as pessoas para que nunca mais um demagogo falar que o feio é bonito e o bonito é feio", em uma aparente referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"A escola cívico-militar é um resgate de tudo isso que nos trouxe até aqui. O feio é o feio, o bonito é o bonito", disse. "Eu tenho certeza que o senhor vai entregar o Brasil com ao menos 10% de escolas cívico-militares. Para que nunca mais se tente implantar um regime totalitário no Brasil. Para que nunca mais um presidente de outro país questione a soberania do Brasil. Nunca mais a gente se esqueça que a bandeira verde e amarela jamais será vermelha."


Em breve novidade aqui!!!

K2_LEAVE_YOUR_COMMENT

Usuário(s) Online

Temos 1428 visitantes e Nenhum membro online
We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree