Após tensões, Bolsonaro diz que Moro é "patrimônio nacional"

29 Agosto 2019

BRASÍLIA - Após semanas de tensão, o presidente Jair Bolsonaro fez um gesto em relação ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou

que ele é um "patrimônio nacional" e agradeceu por ter integrado o governo. "Obrigado Sergio Moro por abrir mão da magistratura, não para entrar numa aventura, mas sim na certeza de que todos nós juntos podemos sim fazer melhor para a nossa pátria."

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A fala de Bolsonaro aconteceu durante a solenidade de lançamento do programa "Em Frente Brasil", projeto piloto de enfrentamento à criminalidade violenta que consiste na articulação entre a União, Estados e municípios para a redução de crimes violentos - em especial os homicídios - com foco territorial em áreas de concentração desses indicadores.

Durante a cerimônia, o presidente fez questão de dizer que o projeto era uma ideia de Moro. "Essa iniciativa do Sergio Moro é muito bem-vinda, tenho certeza que vai dar certo", disse.

O evento coroa uma trégua entre o presidente Jair Bolsonaro e aquele que é considerado um dos superministros do governo. Bolsonaro e Moro desceram a rampa do Palácio do Planalto abraçados, pararam estrategicamente para uma foto e foram bastante aplaudidos pelos presentes.

Nas últimas semanas, Bolsonaro desautorizou Moro publicamente ao dizer que quem mandava na Polícia Federal era ele e que, se quisesse, poderia demitir o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, que é aliado de Moro desde a época em que era juiz da Lava-Jato em Curitiba.

No meio político, chegou-se a aventar que o ministro poderia ser demitido ou pedir para deixar o cargo.

Ao discursar no evento, Moro comemorou a redução do índice de homicídios no país. "Não me lembro de outro período histórico em que tivesse havido uma redução de 20% dos homicídios nos quatro primeiros meses", disse o ministro.

Para ele, apesar de alguns especialistas não creditarem os resultados às iniciativas da atual gestão, "é inegável o mérito do governo federal, do presidente Jair Bolsonaro".

"É evidente que apesar dessa redução nós precisamos melhorar", disse. "É preciso termos segurança, policiais na rua, é importante retirarmos de circulação o criminoso violente, mas também temos que enfrentar causas da criminalidade relacionadas à degradação urbana", defendeu o ministro.

Bolsonaro afirmou que a questão da segurança é algo que preocupa todas as famílias e lembrou da facada que sofreu ano passado, durante um ato de campanha em Juiz de Fora. Ele também afirmou que a União precisa atuar em conjunto com Estados e munícipios para reduzir os índices de violência e que nunca deixou de atender um só governador que o tenha procurado. "O relacionamento e a vontade de um governo federal e de novos governadores já diminuiu o número de mortes violentas. Começamos a recuperar a confiança perdida, sim, nos últimos anos."

O presidente defendeu ainda que a melhora da economia também é um caminho para dar mais segurança ao cidadão. "Se o desemprego cai, a violência também diminui", disse.

O presidente reconheceu, porém, que apesar do "árduo trabalho do Paulo Guedes, "a economia tem que melhorar bastante". Ele mencionou a projeção de crescimento do PIB como uma "boa notícia" divulgada nesta quinta-feira.

Programa "Em Frente Brasil"

O projeto lançado hoje vai abranger uma cidade em cada região do país: Ananindeua (PA), Cariacica (ES), Goiânia (GO), Paulista (PE) e São José dos Pinhais (PR). Segundo o Ministério da Justiça, os cinco municípios não são os mais violentos do país, mas registraram números absolutos de homicídios consideráveis nos últimos anos.

De acordo com o ministro Moro, o "Em frente Brasil" não é um projeto do governo federal, mas sim "uma verdadeira união com governadores e prefeitos". "O que vimos no passado era a União distante da criminalidade violenta; o governo federal com a Polícia Federal mais atuante em outro tipo de criminalidade. A União atuava nessa área somente de maneira reativa, por meio de GLO [Garantia da Lei e da Ordem] ou Força Nacional", afirmou.

Moro também afirmou que o objetivo do projeto é evitar que situações de criminalidade violenta se agravem. "Vamos atuar focado nesses municípios para garantir uma redução substancial da perda de vida nesses locais", disse.

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