“A doença chegou e levou”, diz mãe de menina que morreu de meningite aos 7 anos

15 Novembro 2019

A pequena Sophia Laura Paizante, de sete anos, era amorosa, gostava de andar de bicicleta e amava ficar em casa. No dia 1º de maio do ano passado, a filha de

Michelle Paizante, de Embu das Artes, em São Paulo, acordou vomitando e com um pouco de febre. Ela foi levada para o hospital às 9h e morreu às 14h por causa de uma meningite. “A doença chegou e levou”, diz a mãe da menina.

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Arquivo pessoal
Sophia Laura Paizante morreu em maio do ano passado por conta de uma meningite; especialista explica a doença

Segundo Eliane Tiemi Iokote, infectologista da Beneficiência Portuguesa de São Paulo, a meningite é uma inflamação das meninges, que são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. “A doença pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, protozoários e também por parasitas”, ressalta a especialista.

Michelle conta que a filha pegou a doença de outra menina na escola, que morreu antes dela. A doença é transmitida através de gotículas de saliva ou também por alimentos contaminados. A meningite bacteriana, que é mais grave, é mais comum no outono no e inverno, período em que os ambientes ficam menos arejados.

A mãe ressalta que, no dia anterior à morte, a criança brincou no shopping e não havia apresentado nenhum sintoma até então. No geral, conforme explica Eliane, os sinais são febre e vômitos, que foram apresentados por Sophia, além de náuseas, sonolência excessiva ou até confusão mental.

“Em casos mais específicos, pode ter uma dor de cabeça bastante intensa, uma sensibilidade excessiva à luz, irritabilidade, principalmente nas crianças, e falta de apetite. No exame clínico, nós observamos uma rigidez no pescoço e, em algumas formas de meningite bacteriana, manchas vermelhas pelo corpo”, pontua a infectologista.

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Michelle ressalta que, como tudo aconteceu muito rápido, os médicos não tiveram tempo de colher o líquido da coluna. “Eles suspeitaram que era intoxicação. E no laudo saiu meningite bacteriana. Ela ficou com o corpo todo manchado. Nem parecia minha filha”, diz a mãe. “Hoje, sobrevivo, mas sempre estarei de luto”, completa.

Meningite pode matar em poucas horas

A especialista avalia que o caso da menina, provavelmente, foi causado por uma bactéria chamada Neisseria meningitidis, que tem 12 subtipos. “É a meningococcemia. Esses quadros são realmente mais graves. A característica principal é uma evolução rápida dos sintomas que levam a rebaixamento do nível de consciência, queda da pressão arterial e até ao óbito mesmo”, afirma.

O Ministério da Saúde alerta que as meningites causadas por bactérias, como a pneumocócica e a meningocócica, que pode estar associada à meningococcemia, são mais graves. No caso dessa última, a doença pode evoluir rapidamente e levar o paciente à morte em poucas horas. Já no casos virais, Eliane aponta que a evolução é mais branda.

Segundo a especialista, a meningite bacteriana acomete mais crianças menores que cinco anos e, dentro desse grupo, os menores de um ano, mas pode ocorrer em qualquer idade. Ela reforça que a principal prevenção contra a doença é por meio da imunização. Por isso, é fundamental receber as vacinas, que estão no Calendário Nacional de Vacinação.

Eliane reforça a importância de levar a criança ao pediatra junto com a carteirinha de vacinação para que o profissional possa analisar o documento. Ela ainda destaca que a maioria dos casos de meningite podem evoluir para a cura. “No entanto, é necessário assistência médica na vigência dos sintomas”, destaca.

Michele diz que a filha recebeu todas as vacinas que são fornecidas pelo sistema público de saúde, mas não tinha ciência da existência da vacina meningocócica conjugada ACWY, disponível apenas em clínicas particulares. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, essa vacina previne meningites causadas pela bactéria meningococo dos tipos A, C, W e Y.

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Por fim, a mãe desabafa e diz que 2018 foi o pior ano de sua vida. “Não consigo entender até hoje. Ela não ficou doente. Não deu tempo de socorrer a minha filha”, diz. “Ela sabia que seria uma passagem curta aqui na terra. Ela falava, sempre, que tinha asas de anjo e que voltaria a voltar”, relembra.


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