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Mar cada vez mais quente pode ter contribuído para 'acqua alta' recorde em Veneza

15 Novembro 2019

Grande maré que bloqueia pontos importantes da cidade turística desde terça pode estar relacionada às mudanças climáticas, segundo especialista francesa em hidrologia. Turistas usam uma passarela improvisada para deixar
hotel em Veneza Marco Bertorello / AFP Photo O prefeito de Veneza determinou, nesta sexta-feira (15), o fechamento da praça San Marco. A medida foi tomada após uma nova inundação causada pela maré alta. Especialistas já avaliam o impacto das mudanças climáticas na intensidade dessa acqua alta. "Me vejo forçado a fechar a praça San Marco para proteger os cidadãos de riscos sanitários... Um desastre", declarou o prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro. As autoridades já haviam declarado estado de emergência na cidade, depois de três dias de inundações que causaram graves danos materiais. Mudanças climáticas causam danos à saúde infantil Nível do mar subirá até 1 metro em 8 décadas O governo já estima estragos avaliados em “centenas de milhões de euros”. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, que visitou a cidade na quinta-feira (16), anunciou a liberação de uma verba de € 5 mil para cada morador atingido pela inundação e € 20 mil para cada comerciante. Pessoa atravessa uma arcada inundada perto da Basílica de San Marco, em Veneza, na Itália, nesta sexta-feira (15) Filippo Monteforte / AFP Os hotéis de Veneza também já começam a calcular os prejuízos provocados por essa acqua alta recorde. A cidade recebe 36 milhões de turistas por ano, 90% deles estrangeiros.  Depois de atingir 1m87 na terça-feira (12), a maré chegou a 1m54 na tarde desta sexta-feira. No entanto, as fortes chuvas previstas nas próximas horas preocupam. Impacto das mudanças climáticas? Mesmo se a maré alta faz parte da vida da cidade, formada por 118 ilhas, a maioria delas artificiais e construídas sobre palafitas, o fenômeno cada vez mais intenso levanta questionamentos sobre um eventual impacto do aquecimento do planeta. “Para analisar se há uma tendência que afirme que um evento é provocado pelas mudanças climáticas, nos apoiamos em séries cronológicas de chuvas e de marés, que nos permitem dizer se há realmente uma evolução”, explica a hidróloga Emma Haziza, especialista do assunto, em entrevista à RFI. “Mas para isso, é preciso ter uma longa série de dados, entre 10 e 20 anos. O que não é o caso com Veneza, pois das cinco marés mais altas registradas desde que a Basílica foi erguida – em 828 e reconstruída após um incêndio em 1063 –, três foram nos últimos dez anos e duas apenas nos últimos dois anos” – Emma Haziza, hidróloga. No entanto, mesmo se não há recuo suficiente para afirmações categóricas, a especialista pondera: “Não tem como negar que há parâmetros cada vez mais agravantes. O mar é cada vez mais quente, os ventos mais violentos e esse efeito dominó agrava a situação e provoca esse tipo de resultado”. A hidróloga lembra que Veneza está acostumada com esse tipo de fenômeno. “Até 20 ou 30 centímetros de altitude, a cidade consegue colocar algumas proteções nas portas das lojas e das casas. Mas agora, atingimos um nível muito mais elevado, com a água chegando a 1m87, provocando até 1m30 de submersão. E trata-se de água do mar, que tem um efeito corrosivo extremamente importante”, alerta.

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