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Desfecho político distante em Hong Kong

18 Novembro 2019

Radicalização cresce e torna mais viva a memória do banho de sangue da Praça da Paz Celestial Manifestantes pulam grande depois de tentarem fugir e serem atingidos por gás
lacrimogêneo na Universidade Politécnica de Hong Kong, no domingo (17) Reuters/Adnan Abidi As imagens que chegam de Hong Kong, onde centenas de manifestantes estão sitiados num campus universitário transformado em praça de guerra, deixam mais distante um desfecho político para os protestos que se prolongam há quase seis meses. Ao contrário, a propagação dos confrontos torna mais viva a memória do banho de sangue de 1989, conhecido como o Massacre da Paz Celestial. Chefiado por Carrie Lam, o governo local guarda silêncio sobre os confrontos. E a China, que apoia a executiva, dá claros sinais de impaciência. Editoriais publicados na mídia estatal, como o “Global Times”, defendem medidas mais drásticas, entre elas a utilização de franco-atiradores, armados de rifles, para enfrentar manifestantes armados. “Assim, se houver mortes violentas, a polícia não precisará assumir responsabilidade legal”, alega o editor Hu Xijin. O campo de batalha migrou para as universidades, consideradas santuários e porto seguro para os estudantes. O foco principal é no campus da Universidade Politécnica de Hong Kong, onde a polícia fez a sua intervenção mais incisiva desde o início dos protestos. Estudantes tentaram impedir a ofensiva com barricadas, bombas de gasolina e até arco e flecha. Estão cercados pela polícia. Enquanto os confrontos escalavam nesta segunda-feira no campus, o Supremo Tribunal de Hong Kong impunha mais uma derrota a Carrie Lam, anulando a proibição de máscaras faciais nos protestos por considerá-la incompatível com a Constituição regional. Diante da tensão, o governo local cogita adiar as eleições para o conselho distrital, previstas para domingo, encaradas também como um referendo sobre os protestos. Um atraso deverá atiçar ainda mais a ira dos manifestantes. Desde que os primeiros distúrbios ocorreram, em junho passado, a polícia prendeu cerca de 4.500 pessoas em Hong Kong. A tática não arrefeceu o movimento, que, aparentemente não tem liderança, e começou em oposição a um projeto de lei de extradição de criminosos para a China. A proposta foi retirada, mas os manifestantes ampliaram as reivindicações. Entre elas, a renúncia de Carrie Lam e o voto direto para a escolha do chefe do Executivo da ex-colônia britânica devolvida em 1997 à China. No comando do país desde 2012, o presidente Xi Jinping, que esteve em Brasília semana passada para a reunião dos Brics, atribui os protestos a terroristas e considera que agora a tarefa mais urgente de Hong Kong é interromper a violência e restaurar a ordem. Por enquanto, as ameaças de Pequim, contudo, limitaram-se à presença de forças militares à vizinha Shenzhen. Isso só fez crescer especulações de que Xi esperava que os efeitos do caos na vida cotidiana e na economia de Hong Kong desgastassem os manifestantes diante da opinião pública. Manifestante ateia fogo em barricada na Universidade Politécnica de Hong Kong, na madrugada de segunda-feira (18) Reuters/Adnan Abidi Se a tática do governo era vencer pelo cansaço, ela não funcionou. Sob o ponto de vista da China, uma solução negociada não interessa porque motivaria a oposição em outros territórios. Sob o dos manifestantes, protestos pacíficos não surtiram resultados concretos. Fica difícil imaginar outro caminho que não seja o da radicalização. E, nessa via, os antecedentes do governo central são bem conhecidos.

Em breve novidade aqui!!!

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