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Após UFRJ reafirmar processo, alunos e candidatos relatam mais casos de racismo

15 Fevereiro 2020
Reprodução
Laboratório da UFRJ foi roubado

Alunos e candidatos se manifestaram nas redes sociais, nesta sexta-feira (14), após a Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgar

um comunicado reafirmando o processo realizado pela Comissão de Heteroidentificação – que avalia o fenótipo dos candidatos (características físicas) que tentam ingressar na instituição por cotas. O episódio acontece dias após O DIA revelar, com exclusividade, o caso de uma jovem que foi declarada como "não apta" a usufruir da vaga destinada para candidatos autodeclarados pretos ou pardos.


De acordo com as denúncias recebidas ao longo desta semana, a conduta da comissão contraria diretamente o edital divulgado pela UFRJ. Parte do texto diz que "no que se refere à formação, nessa Comissão pode ser observado o respeito à paridade de representatividade racial e de gênero é composta por mulheres e homens, pretos(as), pardos(as) e brancos(as). A paridade institucional também está contemplada ali, existindo em cada subcomissão a participação de docentes, técnicos(as) e discentes". O que é contestado por Bruno, 20 anos, aluno da universidade.

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"A UFRJ emitiu nota reafirmando as comissões de heteroidentificação e ignorando completamente a ilegalidade das mesmas. Em uma nota extremamente mentirosa eles afirmam que todas as comissões são formadas por pessoas de diferentes etnias (brancos, pardos e pretos), o que é uma grande mentira. Muitos alunos foram analisados por comissões só de pessoas pretas ou só de pessoas brancas", disse o jovem.

Outro ponto questionado pelos alunos foi o tratamento realizado por alguns integrantes da comissão. "Ele estão totalmente despreparados e os membros não tem noção do impacto que estão causando na vida dos alunos que tiveram a autodeclaração indeferida, os membros estão "debochando" dos alunos, um comportamento totalmente inaceitável. Rir de um aluno lendo o documento da autodeclaração não é a conduta correta de um membro que compõe essa banca, além de estarem envolvendo suas concepções pessoais", disse Ana Raquel, de 21 anos, aluna e irmã de um dos jovens que foi declarado inapto para a vaga.

Procurada pelo DIA, a UFRJ não respondeu aos novos questionamentos. O espaço está aberto para manifestações.


Racismo na seleção de cotas


Após diversas denúncias de fraudes no sistema de cotas das universidades públicas do país, a história parece ganhar um novo enredo. Alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) denunciaram ao DIA, na terça-feira (11), um caso de racismo ocorrido no campus Fundão, na Ilha do Governador. Segundo relatos, Julia Rios da Silva, de 22 anos, teria perdido sua vaga após a Comissão de Heteroidentificação da instituição – que avalia o fenótipo dos candidatos (características físicas) que tentam ingressar por cotas – declarar a jovem como "não apta" a usufruir da vaga destinada para candidatos autodeclarados pretos ou pardos.


"Eu passei o dia inteiro na universidade, perdi o meu dia de trabalho. Foi uma situação muito humilhante, eles colocaram (a etnia) na condição da opinião de outras pessoas. Eu sou parda, tenho embasamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Então tudo que eu aprendi sobre mim até hoje é mentira? Eles dizem que não sou o que eu cresci achando que era. Não sei o que fazer. É o meu direito", desabafou a jovem.

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De acordo com um estudante, que não quis se identificar por medo de retaliações, o episódio é novidade e consequência da implementação da comissão reguladora. "Estou aqui na UFRJ há três anos e nunca tinha visto algo tão absurdo. Eu tenho o mesmo fenótipo que ela, entrei por meio de cota e não passei por isso. Ela aparentemente perdeu a vaga por conta dessa comissão, é o primeiro ano que isso está sendo implementado. Ela tem um black gigante, é filha de um homem negro, você olha e vê que é afrodescendente".

O estudante ainda completou dizendo que "apesar de todo absurdo que já tinha acontecido", o ápice foi um outro candidato aprovado debochar da jovem. "O pior foi quando um menino branco, que tinha sido aprovado pela comissão, sair rindo e falar para ela: 'eu consegui e você não'. Nesse momento, ela começou a se questionar. O que essa comissão faz é absurdo. É uma galera despreparada, composta por alunos, professores e técnicos administrativos. Fazem um terror psicológico gigantesco".

Na ocasião, a UFRJ informou que a candidata fez uma denúncia por escrito às 19h20 des terça (11) ao presidente da Comissão de Heteroidentificação e que o caso será encaminhado para a Pró-Reitoria de Graduação da universidade e reforçou que "o procedimento de heteroidentificação para acesso aos cursos por meio de cotas e dito que o mesmo é "útil para coibir as fraudes no sistema de cotas e legitimar o acesso à graduação daqueles que, de fato, são pretos e pardos".

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