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Blocos de rua e desfiles esquentam a já antiga relação política e carnaval

22 Fevereiro 2020
Reprodução/ Instagram @thiago_nego_braz
Bloco de Belo Horizonte protesta contra governador do Estado

O clima político presente nos desfiles de escola de samba

do Rio de Janeiro e de São Paulo também esteve presente nos cortejos e nas fantasias dos blocos de rua de duas capitais brasileiras neste sábado (22) de carnaval.

Em Belo Horizonte, o Então, Brilha levou milhares de foliões em cinco horas de cortejo na manhã do primeiro dia oficial de carnaval no clima de crítica ao governador de Minas, Romeu Zema e à Polícia Militar.

Uma exigência feita pelo Corpo de Bombeiros às vesperas da folia, referente aos trios elétricos, impediu que alguns blocos da capital mineira desfilassem neste ano. O Juventude Bronzeada, um dos blocos mais tradicionais da cidade, cancelou o seu cortejo.

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Da política também saiu a solução do problema. Ao menos dez blocos do carnaval belo-horizontino que teriam seus desfiles cancelados desfilaram com carros cedidos pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). Entre eles, o bloco Fúnebre, que desfilou na noite de sexta-feira (21).

"O que a Polícia Militar e o governo Zema tentaram fazer contra o Carnaval de BH é um atentado contra a cultura, o turismo e a economia mineira", afirmou em sua conta do Facebook o organizador do Volta Belchior e representante da Santa Tereza Independente Liga (SI LIGA).




A imagem ilustra o trio elétrico da CUT, já posicionado na Praça da Bandeira para ser usado pelo Bloco Fúnebre, na última sexta-feira.

Fantasias

Os foliões também usaram suas fantasias para demonstras suas posições políticas com a participante do Então, Brilha que homenageou a vereadora Marielle Franco.

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Ainda não superei o @entao_brilha_ gente! ? Coisa mais linda! ?

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No Bloco Volta, Belchior além de se divertir, foliões mostravam suas críticas ao governo federal.

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#foramilicianos #carnaval #voltabelchior

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No Rio de Janeiro, o desfile do Prata Preta também trouxe fantasias ironizado a fala do ministro Paulo Guedes sobre domésticas indo para a Disney.

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Ei Guedes vai tomar no cu!!! #pratapreta

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Nas avenidas

O tom de crítica do Carnaval 2020 começou nos sambódromos do Rio de Janeiro e São Paulo já nos primeiros desfiles do ano.

A Escola Acadêmicos de Vigário Geral que participou em 2020 da Série A carioca, divisão de acesso do Carnaval do Rio, abriu seu desfile da com uma alegoria que retrata o palhaço Bozo com a faixa presidencial e fazendo o gesto de “arminha” com as mãos.

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A Vigârio Geral levou à avenida o enredo "O Conto do Vigário", de Alexandre Costa, Lino Salles, Marcus do Val e Rodrigo Almeida, sobre as mentiras contadas por políticos no País.

Já na cidade de em São Paulo, a atual campeã Mancha Verde entrou na avenida com o samba-enredo "Pai! Perdoai, eles não sabem o que fazem!”, criticando a relação entre política e religião.

Uma das alas foi toda dedicada à frase “meninos vestem azul, meninas vestem rosa” da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

No desfile da Mancha, a frase de Paulo Guedes sobre as domésticas também foi lembrada. Em um dos carros alegóricos uma foliã estava com um uniforme de doméstica, um passaporte e orelhas de Mickey, símbolo da Disney.

Relação antiga

O carnaval brasileiro sempre foi um espaço de debate político. O Prata Preta é um bloco de historiadores que desfila há 15 anos nas ruas do Rio de Janeiro e sempre abordou temas políticos.

"O Prata Preta é um bloco político, que carrega resistência, e feito por pessoas que pautam a luta por igualdade de direitos. O momento que a gente tá vivendo hoje no carnaval do Rio de Janeiro, em termos de repressão, nos preocupou ao longo do ano, mas estamos aqui para brincar, pular e curtir com alegria. Todo mundo se respeita", afirma Kiev Medeiros, porta-estandarte e diretora do Prata Preta.

No Facebook, o organizador do bloco Volta, Belchior també relaciona a política ao carnaval em Belo Horizonte quem vem crescendo anualmente após tomar as ruas da cidade há cerca de dez anos.

"O Carnaval de BH renasceu político e rebelde e para sempre assim será. Agora é hora de pular a folia, se divertir e lutar. Mas após o período carnavalesco, temos que nos organizar para exigir a aprovação de uma Lei do Carnaval, pois só ela pode institucionalizar a festa para não ficarmos dependentes dos humores de pessoas inescrupulosas como as que tentaram acabar com o evento", diz Kerison na rede social.


Em breve novidade aqui!!!

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