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"Fui assistir às aulas dos youtubers" diz professora sobre ensinar à distância

23 Mai 2020
Redes sociais / Reprodução
Aulas presenciais estão suspensas desde o meio de março.

Por conta do avanço no número de casos do

novo coronavírus (Sars-Cov-2), as aulas presenciais das escolas e universidades foram suspensas por tempo indeterminado.

Para dar continuidade ao ano letivo, as instituições adotaram a prática do ensino à distância (EAD), fazendo com que os professores tivessem que se adaptar para ministrar as aulas online.

É o caso da professora de matemática Patrícia Baccaro, que relatou ter dificuldades para trazer a linguagem específica da matéria para o ambiente digital, tendo que recorrer a vídeos do Youtubes para conseguir planejar as aulas.

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“Fui assistir às aulas dos youtubers ver como eles ensinavam. Percebi que possuíam um aparato tecnológico.

Me informei sobre todos os materiais que utilizavam: mesa digitalizadora, caneta para o uso da mesa, fone e os programas necessários para o uso desse material e comprei todos eles”, afirma a docente, que completa dizendo que foram necessárias horas de estudo para conseguir utilizar o material.

“Passei muitas horas treinando e assistindo tutoriais que me ensinassem usar tudo isso. Tive que aprender um pouco de linguagem de programação.”, diz a docente.

O relato de Patrícia é semelhante ao de Marina Boito, professora da rede municipal de São Paulo, que diz que a transição para o ambiente do ensino remoto gerou dificuldades e forçou os professores a se adaptarem para utilizar as ferramentas de vídeo-conferência.

“Tiveram dificuldades nessa adaptação, pois não possuía familiaridade com a plataforma do Google Classroom e tive que me adaptar a essa nova ferramenta, assim como a maioria dos professores.”, afirmou a docente.

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Diferenças do ensino presencial

alunos em escola
Pixabay
Segundo Paula, EAD não é tão eficaz como o ensino presencial.


"Não é a mesma coisa"

Apesar do esforço em migrar para o ambiente online, os professores relatam que o contato com os alunos faz falta no dia-a-dia. Segundo Paula*, professora de dois colégios da rede particular de São Paulo, o aprendizado dos alunos acaba sendo afetado pela ausência dos professores.

“Não é a mesma coisa. Por mais que a gente se esforce, o online não é a mesma coisa que o presencial. O presencial é muito mais eficaz e eu acho que o ensino à distância dá uma desequilibrada sim”, afirma a professora.

A fala de Paula é endossada por Marina, que diz que o contato com os alunos agora é feito por maneiras alternativas para evitar uma defasagem no aprendizado. “O contato com os alunos e pais agora é feito por áudios, fotos do caderno, dúvidas pelo WhatsApp. Há um contato constante com os pais, para sanar dúvidas”, afirma.

Mudanças na Rotina

Além de se adaptarem às ferramentas, as professoras relatam que a rotina mudou drasticamente para conseguirem adaptar a didática e o conteúdo para as novas plataformas. Paula, por exemplo, diz que está trabalhando o dobro do tempo que costumava trabalhar no ensino presencial. Já Patrícia afirma que o tempo necessário para preparar as aulas on-line “alterou bastante” a sua rotina.

“Preciso ficar bastante tempo preparando as aulas, contudo muitas possibilidades surgiram, conheci programas que fazem demonstrações e animações excelentes sobre assuntos que antes eram difíceis de explicar.”, afirma a docente.

Plataforma digital e provas online

EAD
Glenn Carstens-Peters/Unsplash
Segundo Thereza, alunos estão fazendo provas através de plataformas online.

Segundo Thereza Camporesi, coordenadora do colégio em que Patrícia leciona, a escola teve uma adaptação rápida à mudança para o ambiente digital.

“Nos primeiros três dias, a gente começou a mandar atividades pelo Google Classroom, que é a plataforma que nós estamos usando. No ano passado, os professores e a parte pedagógica fizeram uma certificação do Google. Então aprenderam várias metodologias que podem ser usadas para dar aula. Isso ajudou bastante por que já havia essa experiência. No dia 23 (de março) os professores já começaram com aulas online através do Google Meet”, conta Thereza.

Além das aulas por videoconferência, Thereza relata que os professores do colégio estão utilizando uma plataforma online chamada Geekie e o Google Docs para aplicar atividades avaliativas e provas.

“Eles estão usando muito o Geekie One. Do 6º (ano do Ensino Fundamental II) ao 3º (ano do Ensino Médio) a plataforma está liberada. Essa é uma maneira legal pra quem tem que dar aula e vem ajudando bastante porque os professores podem avaliar por ali, inclusive. Eles estão fazendo provas pelo Google Docs, pelos formulários”, completa Thereza.

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Relação com os pais dos alunos

Em meio à transição para o ambiente digital, os pais dos alunos também tiveram que se adaptar às mudanças, o que levou à diferentes reações. Segundo Thereza, a recepção dos pais dos alunos tem sido positiva, com os responsáveis elogiando a rapidez com que o colégio se adaptou à situação.

Já Paula diz que, apesar de não ter recebido reclamações dos pais de seus alunos, viu colegas passando por situações ruins.

“Eu ainda vejo uma grande maioria reclamando, principalmente aqueles que ‘depositavam’ seus filhos na escola pra escola fazer o papel deles. Eu particularmente ainda não tive nenhum problema com os pais dos meus alunos. Todos estão colaborando. Mas, pelo que eu ouço das minhas colegas de trabalho, tem muitos pais reclamando, que não colaboram e que veem a dificuldade que é para a gente também.”, afirma Paula.

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