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Tomografia permite ciência estudar átomos em poeira lunar

17 Fevereiro 2020

Por meio de uma técnica chamada tomografia de sonda atômica (APT), pesquisadores da Universidade de Chicago (EUA) descobriram um método para extrair o máximo de informações de amostras da superfície lunar.



O processo permite aos cientistas estudarem os átomos presentes nessas substâncias a partir de pedaços nanoscópicos do solo da Lua. Com investigações mais aprofundadas sobre os objetos, a técnica permite aos cientistas racionarem o uso dos estoques limitados de amostras lunares à disposição da ciência

“Há 50 anos, ninguém imaginaria que seria possível sequer analisar uma amostra usando essa técnica, ainda mais a partir de um material com propriedades menores que um grama”, disse o geofísico Phillip Heck, da Universidade de Chicago. “Centenas desses fragmentos poderiam estar nos equipamentos de um astronauta e isso poderia ser material suficiente para um estudo”, completou Heck.

Antes de tudo, foi preciso “esculpir” a amostra no tamanho ideal. Para isso, o grupo de pesquisadores utilizaram um raio de átomos carregados sobre uma rocha lunar, que separaram os pedaços nanoscópicos da espessura de uma agulha. Philip Heck apelidou a técnica de “nano carpintaria”. “Como um carpinteiro trata a madeira, nós fazemos isso com minerais nanoscópicos”, disse.

Em seguida, os cientistas recorreram a raios laser para forçar o deslocamento dos átomos da amostra e observaram seus movimentos até eles atingirem uma placa.

Reprodução

Foto: Karl Mills/Scientific Photo Arts/NASA

Quando estimulados, os elementos apresentam comportamentos distintos, e é isso que permitiu aos pesquisadores definirem a composição e a textura do material lunar. Por exemplo, o ferro leva mais tempo para atingir a placa detectora do que o hidrogênio, uma vez que corresponde a uma substância mais pesada.

Os autores do estudo afirmam que essa é primeira vez que ciência consegue detectar os tipos de átomos e suas exatas localidades em um pedaço de poeira lunar tão pequeno. O experimento usa tão pouco material que as rochas originais ficam quase intactas.

Avanço científico

Os resultados convenceram a Nasa a financiar uma pesquisa de três anos sobre materiais lunares usando a técnica APT. O objetivo é quantificar a presença de água, bem como descobrir novas informações sobre a influência do clima espacial na superfície da Lua. 

Recentemente, pesquisadores apontaram que o astro contém grandes reservas de água em camadas de subsolo profundas; e se o estudo da Universidade de Chicago conseguir coletar evidências disso em seus experimentos com as poeiras lunares, já seria um avanço significativo para a ciência.

Diferente da Terra, a Lua não tem uma atmosfera para se proteger. O espaço apresenta um ambiente hostil, especialmente devido aos raios solares infinitos repletos de radiação. A ciência aponta que o solo da lua sofre alterações por conta do clima espacial. Ao detectar como a superfície do astro mudou, os pesquisadores esperam entender ainda mais sobre a composição do solo lunar. 

Fonte: Science Alert

 

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