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Projeto melhora em 100 vezes visão de caçador de exoplanetas

21 Fevereiro 2020

Uma das pautas mais frequentes entre a comunidade de cientistas espaciais nos últimos anos é a procura por planetas potencialmente habitáveis, os chamados exoplanetas. Agora, uma pesquisa desenvolvida por um consórcio

internacional com participação de cientistas brasileiros deve revolucionar essa busca.

Trata-se de um novo pente de frequências a laser, que aumentou a visão do caçador de planetas similares à Terra em 100 vezes. O caçador em questão é o espectômetro HARPS (sigla em inglês para Buscador de Planetas em Velocidade Radial de Alta Precisão) do Observatório de La Silla, no Chile, operado pelo ESO (Observatório Europeu do Sul).

Com o novo pente, é possível medir espectros astronômicos com a maior precisão já vista usando a técnica Doppler. O projeto passou por mais de dois anos e meio de teste até que fosse finalmente inaugurado, no fim de 2019. Em artigo, os autores afirmam que “esse desenvolvimento é considerado fundamental na busca por exoplanetas rochosos de baixa massa em torno de estrelas do tipo solar”.

Reprodução

A grande inovação realizada pelo projeto é trocar as lâmpadas usadas como calibradores pelo novo pente de frequência a laser. Além de prejudicadas pelo envelhecimento, as lâmpadas não cobriam todo o espectro magnético, o que agora vai ser possível. Fora isso, segundo Medeiros, “os pentes também vão representar um passo importante no estudo sobre a possível variação de constantes fundamentais da natureza” devido à alta sensibilidade e precisão.

“A dificuldade até hoje em descobrirmos planetas do tamanho da Terra é a falta de precisão, de sensibilidade dos instrumentos disponíveis. Com o pente, vamos melhorar essa precisão e sensibilidade em pelo menos 100 vezes, o que fará com que a ciência possa afirmar que descobrir planetas tão pequenos quanto a Terra é apenas uma questão de tempo”, contou Medeiros.

Vale ressaltar que quase 4.000 exoplanetas foram descobertos nos últimos 25 anos. O grupo de pesquisadores que se dedicou ao projeto inclui, além de cientistas brasileiros - da Universidade Federal do Rio Grande do Norte -, pesquisadores da Alemanha e Espanha. 

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