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Acordo da Tesla para compra de níquel ecológico estaria em negociação

14 Setembro 2020

A norte-americana Tesla estaria negociando uma megaparceria para a obtenção de níquel de baixo carbono com a mineradora canadense Giga Metals. A informação foi dada pela Reuters a partir da confirmação de
três fontes. Este minério é essencial para a produção das baterias usadas pelos carros elétricos, cuja produção cresce em ritmo acelerado no mundo.Mais do que garantir o suprimento desta matéria-prima, Elon Musk, CEO da Tesla, busca meios de conseguir isso de forma ambientalmente sustentável. Se bem-sucedido, isso implicaria na redução da pegada de carbono da companhia, que o bilionário fundou em 2003.ReproduçãoCaso parceria entre Tesla e Giga Metals se confirme, projeto exigiria cerca de US$ 1 bilhão, sem levar em conta investimentos para produção de energia hidrelétrica. Crédito: Craig Adderley/PexelsContrato gigante e por longo períodoRecentemente, Musk já havia causado agitação no setor de mineração, ao revelar que estaria buscando firmar um acordo com aquele que conseguisse lhe oferecer níquel com preço atraente e baixo impacto ambiental. “A Tesla vai lhe dar um contrato gigante por um longo período se você minerar níquel de forma eficiente e de maneira ambientalmente sensível”, disse no último 22 de julho, durante videoconferência para apresentar os resultados do segundo semestre da companhia.Se as fontes da Reuters estiverem certas, a Giga Metals pode ter ganhado esta corrida. Segundo elas, os planos para a produção de níquel de baixo carbono da mineradora canadense incluiria transformar os resíduos de suas operações de mineração em rocha tipo cimento, usando dióxido de carbono extraído da atmosfera e energia hidrelétrica.No entanto, o presidente da Giga Metals, Martin Vydra, se recusou a fazer qualquer comentário sobre a negociação com a Tesla. Ainda assim, disse que a empresa está preparada. “A Giga está ativamente engajada, e há algum tempo, com as montadoras em relação à nossa capacidade de produzir níquel neutro em carbono.” Segundo ele, o custo para dar conta do projeto, excluindo o processo de levar energia hidrelétrica para o local, seria inferior a US$ 1 bilhão.ReproduçãoEstudo aponta que carros elétricos devem representar 10% da frota mundial em 2030, fazendo com que o consumo de níquel para baterias represente 30% da demanda. Crédito: Roberto Nickson/PexelsCorrida dos carros elétricosAtualmente, entre os principais produtores globais de níquel estão Rússia, Canadá e Austrália. Mas acredita-se que a maior parte da nova produção deste minério virá da Indonésia, país que não prima pelo zelo às questões ambientais. Ali, por exemplo, o despejo de resíduos de mineração é feito no oceano. Tais práticas, além de trazer preocupações aos ambientalistas, não condizem com a imagem de um automóvel elétrico, produto que ajuda justamente a reduzir a poluição no trânsito.Com o aumento das vendas dos carros elétricos, é esperada um aquecimento da demanda por níquel nos próximos anos. Isso é reflexo da atual preocupação com a mudança climática e da busca por meios de reduzir a emissão de gases poluentes, especialmente oriundos dos motores a diesel e à gasolina, que são os causadores do efeito estufa.Um estudo da FGV Energia aponta que, até 2030, a frota de carros elétricos e híbridos alcance a marca de 140 milhões de unidades, ou 10% da frota. Seguindo nesta mesma direção, as previsões da Benchmark Mineral Intelligence sugerem que o uso de níquel somente para as baterias alcançará 1,4 milhão de toneladas também em 2030, ou 30% da demanda total. Atualmente, este consumo está em cerca de 140 mil toneladas, ou 6% da demanda, indo parar principalmente nas indústrias de aço inox.Fonte: Reuters
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