Vale do Javari: governo de Bolsonaro ignora diálogo com indígenas

O indígena também comentou sobre a perseguição da Funai contra o trabalho da Equipe de Vigilância da Univaja (EVU) que monitora e coleta dados sobre atividades ilegais na reserva, como garimpo, pesca e caça ilegal.

Vale do Javari: governo de Bolsonaro ignora diálogo com indígenas

O indígena também comentou sobre a perseguição da Funai contra o trabalho da Equipe de Vigilância da Univaja (EVU) que monitora e coleta dados sobre atividades ilegais na reserva, como garimpo, pesca e caça ilegal.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o advogado Eliesio Marubo, cumpriu uma série de agendas essa semana, em Brasília, para denunciar a situação na região ainda em meio a comoção pelos assassinatos do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips.

Integrantes da Univaja atuaram nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari, oeste do Amazonas

Apesar de ter participado de audiência pública no Senado Federal e ter se reunido com membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão superior do Poder Judiciário, o indígena foi completamente ignorado pelo governo Jair Bolsonaro.

“Nem de Funai, nem de qualquer ministério, nem de ninguém do Poder Executivo. Tivemos só (reuniões) com o Judiciário e o Legislativo”, afirmou na quinta-feira em coletiva de imprensa para fazer um balanço das atividades dos últimos dias.

Anti-indígena

Segundo o advogado, o governo federal tem agido numa política anti-indígena. “Eu tenho percebido muito uma questão ideológica embutida nessa perseguição do Bruno pela Funai. A gente percebe o governo facilitando a atuação de garimpeiros ilegais, aproximando-se de grupos de extrema direita que, de alguma maneira, atenta contra nossos interesses”.

O indígena também comentou sobre a perseguição da Funai contra o trabalho da Equipe de Vigilância da Univaja (EVU) que monitora e coleta dados sobre atividades ilegais na reserva, como garimpo, pesca e caça ilegal.

As informações produzidas pela EVU, da qual participava Bruno Pereira, contrariam a conclusão divulgada pela Polícia Federal (PF) de que não houve mandante nem organização criminosa por trás dos assassinatos.

Não era assim

A postura atual, observou Marubo, contrasta com a atuação dos órgãos públicos federais em outros contextos. O advogado relembrou a importância da atuação das Forças Armadas com a Funai e a Univaja em 2019 para a destruição de mais de 60 balsas de garimpo ilegal na Terra Indígena Vale do Javari.

Na época, Bruno Pereira era o coordenador-geral de povos isolados da Funai e foi o principal articulador da operação. A reserva indígena do Vale do Javari concentra os maiores grupos de indígenas isolados do planeta.

“O Exército Brasileiro foi parceiro das nossas ações no passado, sempre tiveram inclusive em muitas ações com a Funai dando apoio operacional e logístico”, afirma.

Apesar disso, Marubo destacou que mantém o interesse em estabelecer algum diálogo com o governo de Jair Bolsonaro. “Estamos abertos para diálogo. Se o Poder Executivo nomear um dos seus representantes dos seus órgãos para conversar conosco, certamente vamos conversar”, comentou.