Sexta, 04 Setembro 2020 05:30

Seria o Universo fruto de um ciclo infinito de nascimento e morte?

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A teoria mais aceita para explicar o surgimento do Universo, como você deve saber, é a do Big Bang, evento explosivo que ocorreu

a 13,8 bilhões de anos. Segundo acreditam os cientistas – e apontam os modelos –, o cosmos teria nascido a partir de uma singularidade, isto é, de um “ponto” com campo gravitacional infinito que concentrava todo o espaço-tempo e a energia do Universo. Aliás, conforme mostram as observações, ele segue em expansão.

Essa teoria não consiste em uma ideia aleatória, uma vez que os cientistas conseguem medir a velocidade com a qual o cosmos está se ampliando através da medição de como galáxias, estrelas e outros objetos estão se distanciando uns dos outros – algo que está inclusive ocorrendo cada vez mais depressa. Sobre a idade do Universo, os pesquisadores já conseguiram vislumbrá-lo quando ele era um recém-nascido com 380 mil anos, portanto, não estamos falando de simples conceitos propostos por mentes criativas, e sim de um conjunto de noções que podem ser testadas e calculadas. Mas, como se trata de uma teoria ainda em “construção”, ela possui vários desdobramentos interessantes.

Ioiô cósmico

E se no lugar de ter nascido a partir da singularidade com o Big Bang e estar em contínua expansão até um dia morrer, o Universo fosse algo que sempre existiu e que, depois de alcançar determinado “tamanho”, voltasse ao ponto de origem, como se fosse um ioiô – e passasse pelo mesmo ciclo de ampliação-contração, uma e outra vez? De acordo com o astrofísico Paul Sutter, essa proposta de big bangs contínuos e voltas à singularidade é um dos desdobramentos que mencionamos e, não faz muito tempo, um time de pesquisadores decidiu explorar essa ideia mais a fundo.

Bate e volta?

Na realidade, uma das dificuldades dessa proposta é que, sozinha, ela não explica variações gravitacionais detectadas no tecido espaço-tempo quando os cientistas observaram o Universo-bebê, causadas por flutuações na densidade, temperatura e pressão ocorridas durante a fase de Inflação, instantes depois do Big Bang. Quando posta à prova, a teoria do cosmos cíclico produz modelos sem as anomalias observadas ou qualquer alteração de pressão, temperatura e densidade – e o problema é que sem essas “deformações” no tecido espaço-tempo, a evolução dos cosmos não comportaria a formação de astros e galáxias.

Impasse

Para contornar esse impasse, os cientistas lançaram mão da Teoria das Cordas – baseada na ideia de que as partículas que compõem o Universo seriam cordas – e, mais precisamente, de um conceito dela conhecido como “S-Brana”. Bem, segundo essa teoria, as tais cordas vibrariam e se moveriam pelo espaço-tempo livremente, além de não precisarem ter necessariamente apenas uma dimensão. Pois as cordas multidimensionais recebem o nome de Branas e, dentre as descritas pelos teóricos, existe uma classe que somente poderia existir sob condições extraordinariamente específicas e por apenas um instante.

Inflação cósmicaInflação cósmica

No caso do Universo cíclico, logo ao nascer, quando o cosmos ainda era pequenino e extremamente denso, apareceu uma dessas S-Branas na história, desencadeando a expansão e o surgimento das anomalias gravitacionais que, mais tarde, deram origem a tudo o que existe – até o cosmos atingir o seu limite e voltar ao ponto de partida e o processo ter início outra vez. Obviamente, a coisa toda é superhipotética, visto que nenhum experimento ou observação feitos até hoje trouxeram à tona evidências de que vivemos entre cordas e branas. Mas isso não significa que essas são ideias que simplesmente devemos abandonar.

No fim das contas, quem garante que a exploração de possibilidades, por mais estranhas e improváveis que pareçam, não levem ao surgimento de conceitos que culminem no desenvolvimento de uma nova Física e na reformulação das teorias que explicam o nascimento do Universo?

Seria o Universo fruto de um ciclo infinito de nascimento e morte? via TecMundo

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