Quarta, 16 Setembro 2020 15:44

Geleiras na Antártida derretem mais rápido que o previsto, alertam estudos


Imagine um pedaço de gelo do tamanho do estado do Paraná. Essa foi a área estudada por pesquisadores financiados por Estados Unidos e Reino Unido em um investimento de cerca de US$
50 milhões. O objetivo? Determinar a estabilidade das geleiras da porção oeste da Antártida e a velocidade com que elas estão derretendo.O projeto, que prevê uma duração de cinco anos, já lançou duas publicações na revista científica Cryosphere com resultados alarmantes.O primeiro texto, assinado pela geofísica Kelly Hogan, analisou a velocidade com que as geleiras tem derretido em sua parte submersa por conta da circulação de águas quentes. Para isso, o navio em que estava utilizou uma sonda montada embaixo da embarcação para mapear a superfície oceânica com imagens de sonar, criando um mapa 3D. O mapeamento mostrou que grandes correntes de água quente estão se movendo na base da geleira.Geleiras na Antártida derretam mais rápido do que o previsto, de acordo com estudos publicados na revista Cryosphere. Foto: elmvilla/iStockHogan comenta que a geleira Thwaites, nome da área estudada, é muito vulnerável e sofre grande interferência das mudanças climáticas. Ainda, "um dos fatores é ter água quente chegando por baixo da parte flutuante e acelerando o derretimento." E se trata de um evento que se alimenta, já que as correntes quentes derretem a base da geleira mais rápido, permitindo que mais água quente entre em contato com ela.Mas esse foi apenas o primeiro estudo. O segundo, liderado por David Porter, utilizou uma aeronave para sobrevoar toda a região, equipados com um radar com capacidade de penetrar a superfície da geleira e registrar informações do que há embaixo do gelo, além de um equipamento utilizado para detectar alterações gravitacionais na geleira, que revelou a densidade da plataforma continental embaixo do gelo.Até onde vai o problemaPorter utilizou as informações das alterações gravitacionais para criar um mapa da forma da geleira e do fundo do mar. Na primeira pesquisa, os dados obtidos "mostraram que existem grandes caminhos que permitem águas quentes se moverem na costa, pela plataforma continental e entrar em contato com o gelo."Esses canais chegam a cerca de mil metros de profundidade e alcançam uma área entre 25 e 40 quilômetros, e que essa é uma das razões para as Thwaites estarem mudando. Ainda que essas e outras geleiras não estejam a beira do colapso por serem muito grandes, esses são sinais preocupantes de que um aceleramento de seu derretimento pode elevar os níveis do mar em todo o mundo.Continente antártico possui diversas bases científicas espalhadas pela parte continental e em suas geleiras. Imagem: Dvougao/iStockOs primeiros sinais de problema, no entanto, vieram de outro estudo, financiado pelos Países Baixos, França e EUA, onde imagens de satélite mostraram fendas e fraturas nos blocos de gelo. Os resultados indicam que essas falhas estruturais criaram um efeito repetitivo que acelera a criação de mais falhas e o derretimento da geleira.Além disso, Stef Lhermitte, um dos líderes da pesquisa, juntamente com seu grupo, foi capaz de criar um modelo computacional para prever o futuro das geleiras da Antártida e o aumento do nível do mar por meio da movimentação desses blocos que se soltam da plataforma continental.Lhermitte diz que "estes são gigantes adormecidos" e defende um acompanhamento de perto das geleiras e suas alterações na tentativa de encontrar sinais de mudanças bruscas que podem levar a uma catástrofe ambiental. Fonte: Wired
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