Quarta, 16 Setembro 2020 23:23

Levantamento mostra que pandemia de coronavírus desacelerou no Brasil


De acordo com a quarta fase do estudo epidemiológico desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, a pandemia de coronavírus está desacelerando no Brasil. Para essa conclusão,
foram ouvidas 33.250 pessoas em 133 municípios do país, entre os dias 27 e 30 de agosto.O levantamento mais recente mostrou que 1,4% dos entrevistados tiveram contato com a Covid-19. Na fase anterior, esse número era 3,8%. Além disso, notou-se que o grupo mais atingido, que antes era o dos adultos jovens, passou a ser o dos idosos e das crianças. "Nas três primeiras fases, nós vimos uma concentração de casos entre os adultos jovens, especialmente aqueles em idade produtiva que trabalham fora. E agora, talvez porque esses adultos já se infectaram mais, aumentou a proporção de infectados entre os idosos e as crianças. Isso é preocupante, especialmente por causa dos idosos, porque os quadros tendem a ser um pouco mais graves", explicou Pedro Hallal, reitor da UFPel.A diferença entre as incidências do vírus nas distintas regiões do Brasil continuou marcante. Agora, os locais mais impactados estão sendo as regiões Norte e Nordeste, com percentuais de infecção de 2,4% e 1,9%, respectivamente. No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, essa taxa é de 0,5%.ReproduçãoNo Brasil, 113.119 pessoas já morreram em decorrência da Covid-19. Imagem: Jorge Hely Veiga/Shutterstock"O Brasil, como um país continental, tem muitas diferenças regionais. Os tempos da pandemia também ocorreram de forma diferente conforme a região. Mas se acentua o que já se vinha observando anteriormente, o maior impacto da pandemia no Norte e Nordeste e menor no Sul, Sudeste e Centro-Oeste", disse Paulo Petry, doutor em Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).Vale lembrar que os níveis socioeconômicos também influenciam no modo como a Covid-19 afeta as pessoas. "As pessoas mais pobres têm o dobro do risco de infecção na comparação com as mais ricas. Esse resultado é particularmente preocupante porque são os grupos mais vulneráveis da população", afirmou Hallal.Confira abaixo todas as constatações do levantamento feito pela UFPel:Diminuiu a proporção da população que apresenta anticorpos. Apesar de parecer algo negativo, a diminuição neste percentual demonstra que o contágio pelo coronavírus desacelerou no Brasil. A queda em níveis de anticorpos ao longo do tempo não indica que os indivíduos deixaram de estar protegidos, já que seus organismos guardam a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção;A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada;Houve mudança no perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em Juazeiro do Norte e Sobral, duas cidades do Nordeste brasileiro;Mudou também o padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Agora, a pandemia cresceu entre as crianças e idosos, e caiu entre adultos, que inicialmente eram os mais afetados;Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população apresentaram, em todas as fases do estudo, prevalência mais de duas vezes superior entre os infectados pela Covid-19 em relação à observada entre os 20% mais ricos.Via: GaúchaZH
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