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Sexta, 07 Agosto 2020 08:37

‘Achei que ia mudar’, desabafa mulher após sofrer por 12 anos com violência doméstica


Professora relatou crises de ansiedade no atual relacionamento por conta do trauma sofrido dos antigos companheiros. Ela pediu medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha, que completa
14 anos nesta sexta-feira (7). Mulher preferiu não se identificar, mas relatou o que sofreu Arquivo Pessoal Nem todas as cicatrizes são visíveis. Há aquelas que ficam no emocional e podem deixar sequelas mais profundas e dolorosas do que os próprios danos físicos. Esse é o caso de uma professora de Macapá, de 44 anos, que preferiu não se identificar. Durante 12 anos, ela sofreu violência doméstica dos dois últimos ex-companheiros e acabou adquirindo um transtorno de ansiedade. Ela contou que começou a sofrer os primeiros abusos com 6 anos após o início do primeiro relacionamento, que começou em 1998 e rendeu um casal de filhos. A professora lembra que aturou a violência durante 7 anos, por medo de que a situação pudesse piorar. Lei Maria da Penha: faça o teste e saiba onde pedir ajuda no Amapá Quando indagada sobre qual tipo de violência sofreu, ela conta que sofreu com a psicológica, física e financeira, mas a primeira foi a mais recorrente nos relacionamentos. “O primeiro já chegou a segurar uma faca perto do meu pescoço, sem que eu percebesse, até que a minha filha viu e disse para ele largar a faca. Já sofri várias vezes, que eu nem lembro. Ele era vigilante e por qualquer coisa já dizia que ia me matar, fiquei com medo de morrer. Quanto à violência física, ele me empurrou uma vez que acabei caindo na rua”, relatou. Violência física, psicológica e financeira faziam parte da rotina da vítima Alcinete Gadelha/G1 A professora também contou que era xingada pelo parceiro na frente de outras pessoas, lembrando que algumas até incentivavam as situações, como forma de "colocar a mulher no lugar dela". Após o "basta", a separação ocorreu em 2011. No ano seguinte, em 2012, conheceu outro companheiro que, segundo ela, foi ainda mais abusivo e que deixou mais traumas psicológicos. O novo trauma durou até 2016, quando se separaram, mas as sequelas continuam. “Com tudo isso adquiri ansiedade. Tenho vários sintomas que eu sinto e que eu não consigo descobrir nenhum problema de saúde. O neurologista disse que eu já estou em um estágio avançado e que vou começar a tomar remédio controlado”, frisou. Atualmente, o medo é quase constante, a ameaça é silenciosa e se deve às ameaças e atitudes do segundo relacionamento, onde o homem chegou a invadir a casa, colocá-la num carro falou que iria matá-la. “Eu acho que aguentei muito, porque achei que ia mudar. Do primeiro relacionamento obtive duas renovações de medida protetiva e, do segundo, tenho quatro. Até hoje estou o esperando para voltar no Fórum para renovar essa última, mas com a pandemia ficou difícil”, explicou. Delegacia da Mulher, em Macapá, recebe denúncias de violência Caio Coutinho/G1 A professora diz que até hoje sofre com perseguição do segundo ex-companheiro, seja pelo telefone ou por abordagem, próximo a casa dela. Ela acredita que precisa da renovação para se sentir segura e denunciar a aproximação do homem à polícia. Hoje ela está no terceiro namoro e, segundo ela, é um relacionamento de muita compreensão e respeito. Feliz, ela temeu de que o companheiro não pudesse suportar as crises de ansiedade. Para se livrar dos problemas com os abusadores, ela foi diretamente até o Fórum, na Vara de Violência Doméstica Contra a Mulher, e depois procurou o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) da Zona Norte de Macapá, onde teve o suporte necessário. “Hoje eu alerto às mulheres para que elas não sejam coniventes com as situações de violência. Eu ajudo, participo de reuniões e vou direcionando. Ouvimos muitos casos, piores que os meus, onde a mulher suporta, porque tem medo”, finalizou. A Lei Maria da Penha classifica cinco tipos de violência contra a mulher Arte/Wescley Camelo Lei Maria da Penha Ela tornou crime a violência doméstica e familiar contra a mulher em 7 de agosto de 2006. O nome é uma homenagem à mulher cujo marido tentou matá-la duas vezes e que desde então se dedica à causa do combate à violência contra as mulheres. A LEI: leia a íntegra do texto LEI MARIA DA PENHA: leia outras perguntas e respostas A 11.340/06 tem mais de 40 artigos que asseguram punições contra qualquer caso de violência doméstica e na família diante de uma mulher, independente do parentesco e sexo. O agressor pode ser padrasto ou madrasta, sogro ou sogra, cunhado ou cunhada, entre outros. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá
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