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Segunda, 21 Setembro 2020 20:37

Entidades exigem 'intervenção' e 'punição' após pedagoga negra ser agredida em abordagem da PM


Órgãos como MP e OAB manifestaram repúdio à violência contra a mulher. Corporação alega que fato foi isolado e vai apurar o que aconteceu. Pedagoga foi presa por desacato.
Vídeo: filho filma mulher negra sendo agredida por PMs em Macapá O Ministério Público do Amapá (MP-AP) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão entre as entidades que se manifestaram nesta segunda-feira (21) contra a abordagem que resultou na agressão da pedagoga Eliane Espírito Santo, de 39 anos. Ela levou um soco de um policial militar e foi presa por resistência, desacato e desobediência, na sexta-feira (18). Os órgãos informaram que vão acompanhar os desdobramentos sobre o caso que aconteceu na frente da casa de Eliane no Loteamento São José, na Zona Norte de Macapá. Pedagoga leva soco durante abordagem policial em Macapá; PMs foram afastados Mulher filmou o momento em que policial a aborda antes de agredi-la Ela relata que além do soco sofreu racismo na delegacia dos próprios policiais, que usaram termos como "preta". A Polícia Militar (PM) do Amapá disse tratar-se de um caso isolado e que vai apurar a ocorrência. Os três agentes foram afastados das funções. A corporação não revelou os seus nomes. Além de agressão física, pedagoga acusa polícia do Macapá de racismo A OAB-AP se manifestou por meio da Comissão de Igualdade Racial, repudiando veementemente a ação policial, a classificando como "bruta e violenta". Toda a ação foi filmada pelo filho da vítima e pelas câmeras de segurança. A Ordem declarou ainda, em nota, que requer "intervenção dos órgãos de direitos humanos" no acompanhamento do caso. "Uma mulher negra que tentava filmar a abordagem, exercendo seu direito ao contraditório, foi brutalmente violentada com socos na boca por um agente policial, tendo sido imobilizada, em seguida algemada e recolhida para a viatura. [...] Não descansaremos enquanto nossos corpos permanecerem vigiados e controlados pelo Estado", diz a publicação. O Ministério Público, também em nota, manifestou repúdio a atitude policial e informou que solicitou, por meio da Promotoria da Auditoria Militar, que a corregedoria da PM adote as providências necessárias para garantir a apuração dos fatos e punição dos culpados. "Por fim, considerando que a violência policial é endêmica e tem suas raízes num passado marcado pelo autoritarismo socialmente implantado, o MP-AP promoverá ações que levem à reflexão dos agente públicos responsáveis e a mudanças dos paradigmas que norteiam a segurança pública no Estado do Amapá", declarou. No domingo (20), o governador Waldez Góes descreveu que a ação foi "recheada de atitudes racistas". Por isso, ele informou que determinou ao comando da PM a "apuração criteriosa e rápida dos fatos". Initial plugin text 'Foi uma tortura', diz pedagoga Após ser agredida com um soco, a mulher foi levada para a delegacia, onde foi liberada após pagar R$ 800 de fiança. “Para mim isso foi uma tortura, mexeu muito com meu psicológico. [...] Eu fui chamada de 'preta', fui chamada de vagabunda por eles na delegacia. Eu me senti ofendida e para mim foi um preconceito muito grande, porque éramos os únicos negros ali", disse Eliane. "O correto era todo mundo ser ouvido. Por que eu vou pagar fiança por um crime que eu não cometi? Por que o policial me agrediu se eu não ofendi ele e estava apenas fazendo um vídeo?”, completou. A abordagem aconteceu na sexta-feira (18) à noite, numa região chamada Loteamento São José, na Zona Norte da capital. A pedagoga foi presa e levada ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do bairro Pacoval por resistência, desacato e desobediência. As imagens gravadas pelo filho dela mostram a equipe durante abordagem a dois homens. Em seguida, um dos militares dá voz de prisão a Eliane. Ao tentar imobilizá-la, o agente leva a mulher ao chão e dá-lhe um soco no rosto. Ela é algemada e levada para a viatura. Fotos mostram marcas que ficaram da abordagem Eliane Silva/Arquivo Pessoal Entenda o caso De acordo com Eliane, a abordagem iniciou quando ela estava dentro do carro de um amigo da família, na frente de casa. No veículo estavam ela, o marido, dois amigos, um adolescente de 15 anos, e uma sobrinha de 4 anos. A pedagoga descreveu que três policiais militares iniciaram a revista nos homens, enquanto mandaram ela ir para o outro lado da rua. Eliane também começou a gravar um vídeo do próprio telefone, que foi apreendido pela equipe. O marido dela, Thiago da Silva, também foi detido pelas mesmas acusações. Eliane afirmou que, antes de ser presa, ele também questionou a abordagem; em seguida um dos policiais teria mandado ele calar a boca, o chamado de "vagabundo", e dado um soco nele. "A polícia já abordou a gente apontando as armas para o carro. Abordou todo mudo menos eu; um deles deu um soco no estômago do meu marido. Eu falei para a equipe liberar o adolescente porque ele é do interior, e estava sob minha responsabilidade. Eu atravessei, fiquei na calçada de casa. Só um deles me agrediu", comentou Eliane. "A abordagem inicial foi me engasgar, me deu rasteira e me 'murrou'. Eu não tive reação, eu apanhei, só fiz gritar para a população ver o policial me agredindo desnecessariamente. Em nenhum momento houve desacato, em momento algum eu o agredi verbalmente, ele que já veio me agredindo fisicamente", acrescentou. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá
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