Sábado, 19 Setembro 2020 08:40

Educação inclusiva faz a diferença na vida deles

Garotos com deficiência são queridos em suas escolas, facilitando processo de aprendizagem

Eles já não são mais vistos como coitados, e sim pessoas queridas. E isso tem feito a diferença em

todos os aspectos da vida de garotos que apresentam algum tipo de deficiência, sobretudo no processo educativo.

O jovem Eduardo Braga, 15, é um exemplo disso. Portador de uma síndrome rara, conhecida como PMM2-CDG, que afeta funções psicomotoras, o carinho que o jovem recebe na escola, desde os colegas, passando pelos demais funcionários, até chegar nos professores, é a base para ter um desempenho sempre além dos objetivos a ele estipulados.

“Gosto de ir para a escola por causa dos meus amigos e dos professores”, diz Dudu, forma carinhosa que é chamado pelo pessoal da escola municipal de Vila Velha, onde estuda desde o primeiro ano do ensino fundamental – ele está finalizando o nono ano e prepara-se para entrar no ensino médio. Lá, o jovem frequenta a sala de aula regular, sendo acompanhado por uma professora durante as matérias.

A artesã Juliana Mansur, tia de Dudu e responsável por ele, afirma que participa de um grupo com mães de crianças portadoras da mesma síndrome do estudante, mas que não os mandam para a escola pelo receio de falta de atenção. Mas com Dudu tem sido diferente.

“Nos primeiros anos, tinham momentos que os colegas faziam fila para ver que iam leva-lo para dentro da escola. Ele é muito alegre, gosta de abraçar e beijar, não vê maldade nas coisas. Pra ele, todo mundo é amigo e sempre teve muito mais gente ao lado dele, ajudando e incentivando. Hoje a escola toda o conhece e sabe no que pode ajudar ou não”, relata Juliana, que também elogia o trabalho pedagógico.

“A escola disponibiliza uma professora para ele, sempre ouvemuito a gente na questão de adequar aulas e matérias, está aberta a sugestões,quando nos colocamos à disposição. Claro que temos um ou outro problema deadequação, mas sempre conseguimos contornar. Com a gente, o serviço sempre foimuito bom”, avalia.

É claro que com esse ambiente favorável, o desenvolvimento de Dudu tem sido constantemente acima do esperado. “Ele vai muito além das metas traçadas. Quanto mais incentivo tem, melhor desenvolve”, alegra-se Juliana.

O panorama de Dudu é um verdadeiro retrato do que é umaeducação inclusiva, pelo menos no que diz respeito a pessoas com deficiência(PCDs). Pós-doutor em Educação e professor do Programa de Pós-Graduação emEducação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Rogério Drago afirmaque, para ser inclusivo, o sistema escolar tem que ter um olhar diferenciadopara o ser humano.

“Para ser inclusivo, o foco tem que ser no ser humano. É oolhar diferenciado para as pessoas, no sentido de entender que cada ser humanoé único em sua existência. O que a escola mais necessita hoje é um ‘olhar alémda casca’, de pessoas que enxerguem o ser humano para além da sua aparênciafísica, além de sua deficiência, que todo ser humano é capaz de aprender. Eessa visão a escola precisa ter, do porteiro ao diretor”, afirma o professor.

E acrescenta: “O que as PCDs não precisam é de um olhar depena. Tem que ter o olhar humano e entender que essa pessoa é um sujeito queaprende e se desenvolve. E aí é preciso ter o olhar técnico, pensando emtecnologias e técnicas que façam com que ele aprenda. E isso acontece pela viada formação dos professores da comunidade escolar”.

Analisando a educação especial capixaba, sobretudo a partir dos entes municipais, Drago avalia que o Espírito Santo se destaca no cenário nacional. Para ele, os entes públicos têm investido na formação continuada de professores da educação especial, remunerando-os com base na titularidade, o que tem sido fundamental para o sucesso dos serviços.

“Temos políticas municipais sérias de formação continuada deprofessores, que recebem para planejar, são pagos para fazer mestrado edoutorado, dar este retorno na sala de aula e receber salário de acordo. Têminvestido na contratação de professores, estagiários, profissionaiscapacitados; na criação de salas multifuncionais, na adequação e incremento dosambientes, na reforma de escolas. Conheço, inclusive, vários casos de pais quetiraram filhos de escolas particulares, não para não pagar mensalidade, maspela qualidade da pública neste sentido”, declara o professor.

Israel Dias é professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Deficiência Intelectual de Viana. Além da Licenciatura em Pedagogia, tem pós-graduação, mestrado e doutorado voltado para a educação especial inclusiva e recebe de acordo com a titularidade. Ele elogia a estrutura que o município fornece para alunos e professores e atesta que isso é fundamental para os bons resultados que tem testemunhado.

“Trabalho na perspectiva de que todos são capazes de sedesenvolver e isso depende de nós, profissionais da educação. Se oferecermos omínimo de aprendizado, o aluno vai aprender o mínimo e vice-versa. Algunsprofessores acham que o aluno não é capaz de aprender, que, pelo fato de terdeficiência intelectual, deveria estar em outro lugar. Por isso é preciso apostura inclusiva aliada à especialização”.

Rafael Lourenço é aluno em Viana. Foto: Arquivo pessoal

Hoje, o professor atende 13 alunos com deficiência no município e um deles é Rafael Lourenço, de 11 anos, portador de síndrome de Down. A dona-de-casa Maria Lourenço dos Santos, 56, mãe do garoto, é só elogios ao trabalho do professor Israel.

“Ele é carinhoso, atencioso, na hora que tem que chamar atenção, chama. O trabalho dele tem contribuído muito para o desenvolvimento do Rafael, que é apaixonado por ele. Ele me auxilia em como proceder como nas situações em casa e, com certeza, o Rafael tem evoluído bastante”.

Segundo Israel Dias, esse interlocução com a família é fundamental para o desenvolvimento do aluno com deficiência. “São eles que vão dizer como está em casa, até onde podemos ir na questão das dificuldades biológicas e no desempenho fora de sala, para que possamos ajudar este aluno da melhor maneira possível no processo de escolarização”.

Juntando o Estado com os municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, são 11.442 alunos com deficiências diversas matriculados nas escolas. A Rede Estadual teve 3.610 matrículas em escolas regulares de alunos com Atendimento Educacional Especializado (AEE). O Estado conta com 540 docentes que atuam em turmas de AEE, que acontecem em 317 escolas regulares.

O município de Cariacica conta com 1.713 alunos na Educação Especial, que contam com 298 professores e 53 cuidadores trabalhando em 42 unidades de ensino que oferecem acessibilidade, entre elas elevatória, piso tátil, placa em braille, portas mais largas, banheiro adaptado, entre outros.

A Serra possui 1.821 estudantes da AEE, atendidos por 379 professores de educação especial e 133 cuidadores. O município tem 51 Salas de Recursos Multifuncionais/SRM, com equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do AEE.

Vila Velha tem 101 escolas que contam com profissionais e estrutura necessárias para atender e receber alunos de AEE, que são 2.533, atendidos por 664 professores especializados e 280 cuidadores que fazem o acompanhamento na higienização, locomoção e alimentação desses alunos.

O município tem 40 escolas que possuem salas de recursos multifuncional. Já Vitória conta com 1.765 estudantes na modalidade de AEE, atendidos por 339 professores, que atuam em 98 unidades escolares. 

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