Imprimir esta página
Terça, 04 Agosto 2020 15:07

Em plena pandemia, MPE constata atendimento no limite no pronto-socorro e nas UTIS da Santa Casa

Durante uma vistoria na Santa Casa de Campo Grande, na tarde de segunda-feira (3), o Ministério Público Estadual constatou que o hospital enfrenta uma sobrecarga nos atendimentos, principalmente na retaguarda dos

casos NÃO-COVID em Mato Grosso do Sul. Os pacientes considerados graves ou gravíssimos de outras patologias têm sido encaminhados via regulação do SUS para a Santa Casa, para que outros hospitais fiquem no enfrentamento direto à COVID-19.

As promotoras de Justiça Luciana Rabelo, da Saúde, e Ana Cristina Carneiro Dias, coordenadora da força-tarefa do MPMS, e técnicos do Ministério Público Estadual percorreram a área de isolamento para os pacientes suspeitos ou confirmados com a COVID-19, as enfermarias da retaguarda dos casos NÃO-COVID e as áreas do Pronto-Socorro. Durante a vistoria, a taxa de ocupação dos leitos de Terapia Intensiva para os pacientes vítimas do coronavírus estava em 100 por cento. O coordenador do Núcleo Interno de Regulação, Dr. Fabiano Cançado, explicou que essa alta taxa tem sido frequente desde que foram abertos os dez leitos exclusivos para casos críticos da COVID-19.

Na área de urgência e emergência, o número de pacientes em atendimento era três vezes acima da capacidade adequada para o Pronto-socorro. Alguns aguardavam no corredor por exames, reavaliação ou mesmo leitos de internação.  Essa situação tem se repetido nas últimas semanas na Santa Casa, hospital com o maior número de leitos SUS da região centro-oeste do país que, neste momento de pandemia, tem absorvido todos os pacientes do SUS que não conseguem vagas em outros hospitais.

Além da superlotação, a Santa Casa enfrenta ainda dificuldades para comprar medicamentos que estão em falta no mercado farmacêutico e são essenciais para o atendimento aos pacientes críticos, que precisam de intubação. A defasagem nas escalas dos profissionais da linha de frente é outro agravante, já que a maioria também trabalha em outras unidades de saúde e muitos tem positivado os testes para a COVID-19 e precisam se ausentar do serviço, permanecendo em isolamento. E novas contratações têm sido prejudicadas pela falta de profissionais no mercado de trabalho.

A superintendência da Gestão Médico-Hospitalar encaminhou nesta segunda-feira um documento aos representantes da saúde pública, ao Ministério Público Federal, MPE, MPT e entidades de classe que representam os profissionais da linha de frente, relatando que a instituição está no limite de atendimento, de medicação e de insumos e até de aceitação de novos pacientes.

O presidente da Santa Casa, Heber Xavier, também conversou com as promotoras de Justiça e revelou preocupação diante do atual cenário no atendimento à saúde na capital.

Ler 6 vezes