Quarta, 09 Setembro 2020 20:02

Moradores relatam tremores de terra em Gramado; engenheiro diz que vibrações são normais


Professor de engenharia da UFRGS afirma que período de cheias após seca pode explicar as ocorrências. Prefeitura nega que haja detonações irregulares com explosivos. Moradora diz que rachaduras
em paredes surgiram após tremores em Gramado Graciela Ecker/Arquivo Pessoal Moradores de Gramado, na serra gaúcha, percebem tremores de terra desde 21 de agosto, e muitos se assustaram com a força do abalo na noite de terça-feira (9). No entanto, segundo a prefeitura, são movimentos naturais de placas rochosas e que não causaram nenhum dano mais grave na cidade. Foram pelo menos 10 registros em cinco dias diferentes feitos pela Defesa Civil. O local mais atingido é o bairro Piratini. A empresária Iria Pinto, moradora da localidade, diz que precisou deixar a casa correndo, às 22h30, após o estrondo. "Parecia que foi embaixo da minha casa e do meu vizinho. A casa é de estrutura antiga, parede dupla, e sacudiu. Não adianta acontecer uma tragédia e depois dizer que é uma fatalidade", afirma. Já a caixa Graciela Ecker afirma que há rachaduras em sua casa e até vidros quebrados na residência de sua mãe causados pelos abalos. "São estrondos fortes, altíssimos. Chega a vibrar a casa. Um tremor bem intenso", descreve. "Nosso sentimento, agora, é medo", completa. Moradora do Centro, Natália de Castilhos diz que não percebeu nenhum tremor, mas está preocupada com os relatos de conhecidos e a falta de informação sobre o assunto. "A gente tá preocupada que aconteça uma tragédia, porque o bairro Piratini é um bairro com muitas casas", diz. Moradora registrou rachaduras nas paredes após tremores em Gramado Graciela Ecker/Arquivo Pessoal Vibrações normais No entanto, o engenheiro Enrique Munaretti, do Departamento de Engenharia de Minas da UFRGS, explica que os tremores são causados por vibrações "absolutamente normais". De acordo com ele, estudos recentes apontam uma correlação entre os tremores na Serra com períodos de seca e de cheia. "Em seca, as trincas nessa formação geológica estão com ar, que é possível comprimir. Em cheias, tem a água empurrando e afastando as paredes. Qualquer movimento menor de 1 milímetro a gente percebe como uma vibração", diz. Segundo Munaretti, no globo terrestre existem sete grandes placas tectônicas que se movimentam e podem causar terremotos. Os maiores tremores são nas bordas. Como o Brasil está quase todo sobre a placa sul-americana, os terremotos são menos comuns por aqui, porém frequentes no Chile e no Peru, de um lado, e no oceano Atlântico, de outro. Mesmo assim, pequenos tremores ocorrem e vão seguir ocorrendo em menor escala em toda a Terra. Por isso, o engenheiro recomenda mais pesquisa e até uma possível revisão nas formas de construção na Serra para verificar o impacto desses abalos nas estruturas atuais. "É até recomendável para ver quais são as vibrações que ocorrem e se preparar para mudar as técnicas de construção, com fundações mais reforçadas. Isso pra não ter problemas no futuro. Bom prevenir pra depois não ficar consertando", aponta. A Prefeitura de Gramado rechaça, ainda, a suspeita levantada em redes sociais de que a origem dos estrondos tenha sido detonações por explosivos. A Secretaria Municipal de Planejamento assegura que realiza fiscalizações em obras no município e não identificou nenhuma detonação irregular.
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