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Segunda, 21 Setembro 2020 01:00

'Invisíveis', pessoas com deficiência sofrem com violência doméstica

A pandemia do novo coronavírus aumentou ainda mais a subnotificação Arte R7

Aos 12 anos, Ana**, que é cega, diz ter começado a ser molestada sexualmente pelas mãos do homem que a adotou e a levou do estado da Paraíba, onde nasceu, para a cidade de São Paulo. Foram seis anos lidando com toques indevidos e o medo de se despir. Na maioridade, Ana teve a coragem de expor a violência à esposa do agressor que, a princípio, não acreditou. 

Alguns meses depois, a mulher passou a reconhecer parte dos abusos, mas não o culpado: 'você que tirava a roupa, você que se exibia', dizia ela à filha adotiva. "Ela deu um jeito de me expulsar de casa arrumando um casamento - eu não diria que foi forçado, mas foi um casamento arranjado", relembra a vítima. 

Para garantir o silêncio, a esposa do agressor recorreu a um homem que era "obediente" às suas ordens, nas palavras de Ana. Ele não a ajudava a denunciar os abusos sofridos na adolescência e a mantinha presa em casa.

A cegueira total e o isolamento não impediram a paraibana de buscar por Justiça. Com a ajuda de um homem que havia conhecido por amigos em comum na internet, ela planejou sua fuga por meses enquanto estava presa em casa. Em maio deste ano, a dupla enganou o marido da vítima, dizendo que Ana precisava ir à UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima, enquanto acionavam a polícia para o resgate. 

"Eu falei: 'Tá, eu faço BO (Boletim de Ocorrência), denúncia, faço tudo'. Mas eu impus uma condição: 'eu não volto mais para casa depois de hoje'", repete a vítima, sobre as últimas palavras aos policiais dentro do posto de saúde.

No dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro, a reportagem do R7 conversou com especialistas, ativistas e pessoas que lutam pelos direitos de quem tem deficiência para discutir a violência doméstica, que se soma a outras inúmeras formas de agressão sofridas por este grupo no dia a dia.

Os direitos destas pessoas, já garantidos por lei, não são amparados pela estrutura de serviços públicos, segundo especialistas. Para as pessoas com deficiência vítimas de discriminação, violência ou desta falha de estrutura, a denúncia é o único caminho para garantir igualdade.

Múltiplas barreiras

A proximidade com os agressores - que geralmente vivem na mesma casa, como no caso de Ana - e a falta de autonomia de algumas pessoas deste grupo são fatores que atrapalham as denúncias e geram subnotificação alarmante.

"Para cada caso que tem de boletim de ocorrência estima-se que entre quatro e seis pessoas que também sofreram violência de alguma forma, não foram até a delegacia, não fizeram alguma queixa, não fizeram BO, não pediram orientação ou não pediram socorro", diz a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo, Célia Leão. 

A pandemia do novo coronavírus aumentou ainda mais a subnotificação.

Nos meses de março, abril e junho, que marcaram o auge do isolamento social no estado, o número de atendimentos a pessoa com deficiência caiu mais de 75% em comparação com o início do ano, segundo dados da 1º Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, na cidade de São Paulo. A partir de julho, o índice voltou ao patamar médio, de cerca de 120 denúncias por mês de pessoas com deficiência.  

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