Por que pode ser difícil esclarecer o acidente com o Boeing 737 que caiu no Irã com 176 pessoas a bordo

Quinta, 09 Janeiro 2020 12:34

Por que pode ser difícil esclarecer o acidente com o Boeing 737 que caiu no Irã com 176 pessoas a bordo

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Image caption Pertences das 176 pessoas que estavam a bordo da aeronave podiam ser vistos entre os destroços do avião

"Peço veementemente a todos que evitem especular e

lançar hipóteses não comprovadas até a divulgação de informações oficiais sobre a catástrofe".

O pedido foi feito pelo presidente da , Vladimir Zelenski, após várias especulações sobre as causas do , que caiu na manhã de quarta-feira logo depois de decolar do aeroporto internacional de Teerã, capital do , matando as 176 pessoas que estavam a bordo.

Zelenski também ordenou a abertura de um inquérito criminal para investigar o incidente, considerado o maior desastre aéreo da história recente do país.

O acidente com o Boeing 737-800 ocorreu horas após o no Iraque — em retaliação ao , morto em um ataque aéreo ordenado pelo presidente americano, Donald Trump, em Bagdá.

Esse fato levou ao surgimento de várias especulações sobre a causa do incidente.

Por isso, as autoridades pediram cautela e confiança na investigação, na qual os dados das da aeronave serão fundamentais.

Mas, após localizar as caixas-pretas, o Irã já alertou que não entregará os dispositivos à Boeing ou aos EUA, país sede da fabricante da aeronave.

Por que essa decisão pode dificultar a esclarecer o que aconteceu?

Capacidade de analisar a caixa-preta

A caixa-preta registra a atividade do avião e as conversas da tripulação. Portanto, seus dados são vitais em caso de acidente para analisar o que aconteceu e estabelecer as causas.

De acordo com os regulamentos da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), da qual o Irã faz parte, as investigações sobre acidentes aéreos cabem ao país em que ocorreram.

No entanto, prevê a possibilidade de o país em questão delegar toda ou parte da investigação a outra nação, se assim for acordado entre ambos.

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Image caption As informações registradas nas caixas pretas do avião serão essenciais para esclarecer o que aconteceu

Especialistas do setor de aviação alertam que apenas alguns países do mundo têm capacidade técnica para analisar corretamente as caixas-pretas, como os EUA e algumas nações europeias.

Isso ficou evidente no acidente com um Boeing 737 MAX 8, na Etiópia, no qual 157 pessoas morreram no ano passado. Na ocasião, a Ethiopian Airlines confirmou que o país não tinha meios de decifrar as informações da caixa-preta e que seria necessário enviá-la para o exterior.

"Não daremos as caixas-pretas para a fabricante, para os americanos, e ainda não está claro para qual país elas serão enviadas para leitura", declarou Ali Abedzadeh, chefe da Organização de Aviação Civil do Irã.

O anexo 13 da Convenção Internacional da Aviação Civil, da OACI, estabelece que o país que fabrica o avião envolvido no acidente "terá o direito de nomear um representante reconhecido para participar da investigação".

"Estamos em contato com a companhia aérea cliente e permaneceremos ao lado deles nesse momento difícil. Estamos prontos para ajudar como for preciso", afirmou a Boeing no Twitter.

No entanto, diante da escalada da tensão entre Teerã e Washington, não se sabe o grau de participação que os EUA vão ter na investigação, tampouco quem vai liderar o inquérito.

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Image caption Não houve sobreviventes — os 167 passageiros e nove tripulantes morreram na tragédia

Por outro lado, Abedzadeh anunciou que a Ucrânia, país ao qual pertence a companhia aérea da aeronave que se acidentou, pode participar da investigação.

O presidente ucraniano anunciou que um grupo de especialistas de seu país seria enviado a Teerã para prestar assistência em campo e ajudar a identificar as vítimas.

Consultado pela BBC, o analista de segurança aérea Todd Curtis afirmou que a investigação deveria envolver autoridades do Irã, Ucrânia, EUA e também da França, país ao qual pertence a empresa que fabricou os motores da aeronave.

Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, país de origem de 63 vítimas do acidente (embora algumas possam ter dupla nacionalidade), afirmou que seu país também espera participar da investigação e ofereceu assistência técnica.

Inúmeras incógnitas

A investigação deve esclarecer muitas incógnitas sobre o que aconteceu com o avião da Ukraine International.

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Image caption Destroços de um dos motores da aeronave que caiu logo depois de decolar do aeroporto internacional de Teerã

O governo iraniano descartou que um míssil tivesse sido responsável pela tragédia.

"Se o acidente fosse causado por um ataque com míssil, o avião teria explodido no ar", afirmou Qasem Biniaz, do Ministério de Estradas e Desenvolvimento Urbano, de acordo com a Islamic Republic News Agency (IRNA), agência de notícias oficial do governo.

"O incêndio em uma parte do motor do avião e o esforço fracassado do piloto para controlar a aeronave resultaram em seu acidente e na morte de todos os passageiros", acrescentou, sem oferecer mais detalhes sobre a hipótese de falha técnica.

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Image caption Equipes de resgate foram enviadas para retirar os corpos das vítimas entre os destroços do avião

A embaixada ucraniana no Irã concordou inicialmente que a causa do acidente estava em um problema com o motor da aeronave e descartou que estivesse relacionada com "terrorismo".

No entanto, horas depois, retirou essa declaração do site, garantindo que era baseada em informações preliminares e que as causas do incidente ainda são desconhecidas.

Para o jornalista da BBC Tom Burridge, especialista em transporte, chama atenção especialmente o fato de o avião ter atingido 2.400 metros de altura após decolar de Teerã e parar repentinamente de transmitir dados.

Também não há registro de que o piloto tenha entrado em contato com a torre de controle para informar qualquer sinal de emergência.

"Isso é incomum e sugere algum tipo de incidente catastrófico a bordo do avião, mas, neste estágio, não temos evidências que indiquem o que causou o incidente", avalia Burridge.

Segundo o analista de segurança aérea Todd Curtis, "o avião estava muito fragmentado, o que significa que houve um impacto intenso no solo ou algo aconteceu no céu".

Inspeção técnica recente

A Ukraine International Airlines, companhia aérea do avião que caiu, descartou que o acidente tenha ocorrido devido a um erro humano.

"As chances de que a tripulação tenha cometido um erro são mínimas", declarou Evgeny Dykhne, presidente da empresa, que pertence em parte ao magnata Igor Kolomoisky, um dos homens mais ricos da Ucrânia e muito próximo do presidente do país.

Dykhne disse que o avião acidentado, um Boeing 737-800 com apenas três anos, estava funcionando devidamente e passou por uma inspeção técnica dois dias antes do acidente.

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Image caption O acidente com o Boeing 737-800 da empresa aérea Ukraine International é o mais grave da história da aviação na Ucrânia

A empresa, que não havia registrado acidentes fatais desde sua criação em 1992, suspendeu os voos para Teerã por tempo indeterminado, depois que o governo ucraniano ordenou que todas as companhias aéreas do país cancelassem as operações no Irã e em seu espaço aéreo.

A Boeing, por sua vez, afirmou que estava acompanhando as notícias sobre o acidente, enquanto coletava mais informações para esclarecer o que aconteceu.

A gigante americana da aviação está mergulhada em uma grave crise após dois acidentes em menos de cinco meses com seu modelo mais vendido, o 737 MAX.

Nos dois desastres aéreos em questão, que mataram cerca de 350 pessoas em 2018 e 2019, os aviões também caíram alguns minutos depois de decolar da Etiópia e da Indonésia, respectivamente — e levaram a .

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